Comunicado

Ainda é muito cedo para fazer um balanço exaustivo do que está, mais uma vez, a acontecer no território da Diocese de Portalegre – Castelo Branco em matéria de fogos florestais.

Ainda não cicatrizadas as feridas que os incêndios de 2017 abriram, as mesmas populações, paróquias, autarquias e corporações de bombeiros estão de novo confrontados com o flagelo do território ardido, das habitações e dos bens patrimoniais destruídos, com a voragem das chamas e com a angústia das comunidades. 

Ouve-se o clamor de quem, repetidamente, vive rodeado de desolação, de paisagem queimada, de ar irrespirável. No ar ficam as perguntas de sempre, formuladas todos os anos:

 – Porquê? Quem não aprendeu ou não quer aprender com a história recente? Porque se legisla para punir os poucos agricultores e as resilientes populações e não se põe em prática o manancial de legislação que pode contribuir para combater e evitar o flagelo dos fogos florestais?

O Senhor Bispo, a Cáritas Diocesana e os Párocos vivem intensamente o drama das populações, sofrem com elas e estão no terreno para as acompanhar e disponíveis para ajudar. Temos aprendido a acompanhar as comunidades e compreendido que os problemas das pessoas, de cada uma individualmente, tem também uma dimensão coletiva. Por isso, na Cáritas temos fomentado o acompanhamento de processos de desenvolvimento das pessoas, partindo do ponto de vista da animação comunitária, não só como oportunidade inclusiva do território, mas também como fator de desenvolvimento humano. Esta animação comunitária tem sido e é para a Cáritas o âmbito identitário da sua ação. 

As mudanças sociais e a as crises sociais e económicas, como estas que estamos a viver, incentivam-nos a desenvolver este modelo de ação social baseado na participação e implicando-nos no acompanhamento, propondo, denunciando e gerando esperança.

Em período pré-eleitoral é necessário que a sociedade humana e os partidos políticos mudem de paradigma e ouçam os lamentos vindos de todo o lado, sobretudo dos Autarcas e das Corporações de Bombeiros quando afirmam: “continuamos a evacuar aldeias o que mostra que não aprendemos a proteger as populações…” e “O Estado volta a falhar às populações, repetindo os erros de 2017”.  

O território do interior desertificado não pode continuar a ser ignorado e a ser pasto de chamas, de abandono e de desumanização. É necessário que todos estejam empenhados na coesão territorial, como grande objetivo para o desenvolvimento humano, harmonioso, integral e feliz.

 

Elicídio Bilé Presidente da Cáritas Diocesana

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