Antonino Dias
Bispo de Portalegre-Castelo Branco

Estamos a viver o Mistério Pascal de forma diferente, sem manifestações externas, sem fogaréus nem foguetes, com lágrimas e muito sofrimento, em isolamento social. Se menos ao gosto dos homens, que ela possa ser mais vivida ao jeito de Deus, e em família.

Jesus veio para que nós tivéssemos vida e vida em abundância (cf. Jo 10,10). Ao assumir a condição humana e morrer na cruz, Jesus restituiu ao homem a dignidade que perdera, libertou-o da escravidão do pecado e abriu-lhe as portas para uma vida nova. Assumiu e suportou as tragédias da humanidade, a cruz de todos os homens, de todos os tempos e lugares. Permanecendo longe ou indiferentes, pode acontecer que fiquemos confusos perante as tragédias humanas e perguntar: “Deus, onde estás?”. A experiência da fé, porém, diz-nos que Ele está perto, ressuscitou, está vivo, venceu a morte, estende-nos a mão e faz-nos um desafio: «Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16, 24). E siga-me, isto é, partilhe comigo o mesmo caminho, mesmo que o mundo não compreenda e ache ser uma derrota. E aponta o modo de o fazer: “Então Jesus, levantou-Se da mesa, tirou o manto, pegou numa toalha e atou-a à cintura. Deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que tinha à cintura (…) sentou-Se de novo e perguntou: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me “o Mestre” e “o Senhor”, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós vos deveis lavar os pés uns aos outros» (Jo 13, 13-14). Que o testemunho e a vitória de Cristo seja o nosso caminho, que Cristo Ressuscitado viva realmente dentro do coração de cada um e transforme a sua vida na Vida plena que Ele nos veio oferecer!

Se a todos, dentro dos condicionalismos atuais, desejamos uma Santa Páscoa, se pensamos naqueles que nestes tempos de pandemia sofrem a doença ou a perda dos seus familiares, pensamos sobretudo naqueles que, com humildade, coragem e determinação, colocam a toalha à cinta e lavam os pés às dores do mundo, que são muitas e diversas: profissionais de saúde e seus colaboradores, governantes que sentem a responsabilidade de decidir, agentes da proteção civil e da ordem pública, responsáveis, colaboradores, voluntários e clientes das estruturas sociais e das estruturas que garantem o funcionamento da sociedade em todas as áreas e serviços e prestam apoio às pessoas necessitadas. Ao mesmo tempo que lhes manifestamos a nossa gratidão pelo seu testemunho em espírito de serviço, rezamos para que todos gozem de saúde e encontrem na Cruz de Cristo a força e o conforto necessários nos momentos mais difíceis da sua vida e missão.

Feliz Páscoa!

Não deixemos morrer a esperança!

Ele está vivo e atento, não nos abandona!

Antonino Dias Bispo de Portalegre-Castelo Branco

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