Neste ano a ele dedicado, celebramos a Solenidade de São José, a maior festa anual em sua honra. Neste mesmo dia da solenidade do pai adotivo de Jesus, associamos, todos os anos, a celebração do Dia do Pai, pedindo ao Senhor que, a exemplo de São José, todos os pais o imitem no seu amor a Maria e Jesus. E a par, fazemos força para que a violência doméstica, a violência psicológica, verbal e física, os maus tratos, a agressividade e a indiferença, tudo seja banido do seio das famílias. Que não se confunda autoridade com autoritarismo, força com destruição, confronto com opressão, até mesmo em relação aos próprios filhos. Como afirma o Papa Francisco na Carta Apostólica que teve o gosto de nos oferecer sobre São José e da qual aqui me sirvo e faço eco, ser pai significa introduzir os filhos na experiência da vida, na realidade. Não os segurando, prendendo ou subjugando como se fossem propriedade sua, mas tornando-os capazes de opções de liberdade, de partir, de forma responsável e feliz pelas sendas da vida. Os pais não são donos dos filhos, são apenas cuidadores. E o ideal seria que chegassem a um ponto de se tornarem “inúteis”, isto é, dispensáveis para os filhos, pela educação que lhes deram, educação que os tornou responsáveis e livres, comprometidos na sociedade, na família e na fé. Foi sob os cuidados de São José, foi na escola de José, seu pai adotivo, que Jesus aprendeu a fazer a vontade de Deus Pai, tornando-a o seu alimento diário, até á cruz.

Precisamos de famílias que transformem o seu ambiente familiar numa pequenina igreja doméstica, onde se reze e ensine a rezar. Famílias que saibam transformar o trabalho em oração, onde os esposos se amem e cuidem mutuamente, amem os filhos e os filhos respeitem e amem os seus pais, não os abandonando nas horas difíceis e na velhice, que todos as famílias peçam à Sagrada Família de Nazaré as maiores bênçãos para o seu lar. 

Os santos intercedem por nós diante de Deus. Ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado». A vida dos santos são uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho por entre as alegrias e as tristezas da vida. Assim como Jesus nos convidou a aprender d’Ele porque é “manso e humilde de coração», também os Santos são exemplos de vida que devemos imitar. Tantas e tantas pessoas chegaram à santidade através do estímulo e do exemplo dos santos, como, por exemplo, Santo Agostinho que chegou à conversão definitiva exclamando: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!»

São José, a quem também pedimos a graça da nossa conversão, aponta-nos um caminho verdadeiramente comprometido na sua missão, um caminho que ele acolhe com ternura e responsabilidade criativa, na obediência. Por entre o seu silêncio e discrição, sempre na sombra, ele exerce um protagonismo corajoso e forte, sempre apoiado na força do Espírito de Deus em quem confia plenamente no meio das contradições, imprevistos e desilusões da vida.  Nunca nele se nota qualquer frustração, revolta ou lamentação, nunca semeou o pânico, nem tampouco desanimou ou cedeu à tentação de desistir perante as dificuldades, que foram muitas e de diversa ordem. Como refere Francisco, se ele se sentia frágil, preocupado e com  medo do que poderia acontecer à sua esposa e menino Deus, ele sabia transformar cada problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência, dando-se, entregando-se com esperança, deixando a Deus o timão da sua barca, sempre confiante. 

E assim, sem receio, ele colocou-se inteiramente ao serviço do plano salvífico, foi guardião e protetor de Maria e Jesus. A ele, Deus confiou o seu Filho, para o defender, proteger, cuidar e criar. São José pautou a sua vocação humana pela oblação de si mesmo, do seu coração e de todas as suas capacidades, ao serviço do Messias nascido em sua casa. Nele, também Maria depositou a sua plena confiança, sentindo-se protegida, amada e honrada, sem condições. José apresenta-se sempre como figura de homem respeitoso, delicado, trabalhador, honesto e justo. Foi nesse ambiente que Jesus ia crescendo em sabedoria, graça e estatura. 

E se José foi guardião e defensor de Jesus e Maria, o Papa Francisco diz-nos que São José não pode deixar de ser o Guardião da Igreja, porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo na história. E na maternidade da Igreja também se espelha a maternidade de Maria. Continuando a proteger a Igreja, José continua a proteger o Menino e sua Mãe; e também nós, amando a Igreja, continuamos a amar o Menino e sua Mãe, com cuidado e responsabilidade. E realça Francisco: devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua mãe; amar os Sacramentos e a caridade; amar a Igreja e os pobres. Cada uma destas realidades é sempre o Menino e sua mãe.

Por isso, pelo seu papel na história da salvação, São José é um pai que foi sempre amado pelo povo cristão, lembra Francisco. A prová-lo está o facto de lhe terem sido e continuam a ser dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo; de muitos institutos religiosos, confrarias e grupos eclesiais se terem inspirado na sua espiritualidade e adotado o seu nome; e de, há séculos, se realizarem em sua honra várias representações sacras. Muitos Santos e Santas foram seus devotos apaixonados, entre os quais se conta Teresa de Ávila que o adotou como advogado e intercessor, recomendando-se instantemente a São José e recebendo todas as graças que lhe pedia. 

São José, tal como apreciava atento e com alegria, aqueles que vieram visitar Jesus aquando do seu nascimento, desde os simples pastores até aos magos, vindos do Oriente, continua feliz sempre que nós visitamos e estamos com Jesus. Podemos recordar ainda, que em 13 de outubro de 1917, enquanto a multidão assistia, extasiada, ao milagre do sol, Lúcia, Francisco e Jacinta viam São José com Nossa Senhora e com Jesus a abençoar o mundo…

Ao iniciarmos o “Ano Família Amoris Laetitia”, não deixemos, pois, de pedir à Sagrada Família de Nazaré as suas melhores bênçãos para todas as famílias. O Santo Padre declarou este ano dedicado à família para que as pessoas possam experimentar “que o Evangelho da família é a alegria que enche o coração e a vida inteira” (AL200). Uma família “que descobre e experimenta a alegria de ter um dom em si mesma e de ser um dom para a Igreja e para a sociedade, “pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo” (AL66). E o mundo precisa de luz. Por isso, temos necessidade de apostar numa pastoral criativa, que atinja a todos e onde todos se tronem protagonistas dessa formação e evangelização. Que se supere a cultura do descarte e da indiferença, que se reflita sobre questões relacionadas com “família, matrimónio, castidade, abertura à vida, uso das redes sociais, pobreza, cuidado da criação (cf. AL40). Que não se esqueça de envolver as crianças e se desperte o entusiasmo e valorize a capacidade dos jovens se comprometerem diante dos grandes ideais e desafios que eles acarretam”. Só uma pastoral evangelizadora que faça com que as famílias se sintam discípulas do Senhor e se tornem missionárias da verdade do amor, levará a viver o matrimónio como verdadeira dádiva, dádiva capaz de transformar o amor humano em verdadeira comunidade de vida e de amor, à imagem da Sagrada Família de Nazaré. A Sagrada Família também sentiu a beleza e as dificuldades da vida familiar, mas sempre as soube viver e ultrapassar, com serenidade e persistência.

Que todas as famílias, mesmo as famílias feridas por situações várias, se sintam amadas pela Igreja e sejam elas mesmas a provocar e exigir o verdadeiro discernimento para que possam continuar a descobrir e a cumprir a missão que têm na sua família e na própria comunidade envolvente.

Que Jesus, Maria e José a todos abençoem, estimulem e protejam. 

……..

Para além de muitos altares a ele dedicados e muitas imagens por essa Diocese fora, deixo aqui a relação das Igrejas e Capelas dedicadas a São José nesta nossa Diocese:

— Seminário de São José de Alcains

— Castelo Branco (cidade) – Igreja Paroquial de São José Operário

— Envendos, Mação – no lugar de São José das Matas – com o Menino pela mão.

— Carvoeiro, Mação – Pracana Cimeira, quase não tem culto, por falta de gente

— Várzea dos Cavaleiros, Sertã – no lugar de Maljoga

— Troviscal, Sertã – no lugar de Vale do Laço

— Cernache do Bonjardim, Sertã – no lugar Brejo da Correia

— Sobreira Formosa, Proença-a-Nova – no lugar de Castanheira

— Comenda, Gavião – no lugar de Vale da Feiteira

— Margem, Gavião – no lugar de Vale da Vinha

— Margem, Gavião – no Moinho do Torrão

— Estreito, Oleiros – São José das Póvoas, no lugar de Póvoas

— Castelo de Vide – na paróquia de São João Batista, na Vila

— Vila de Rei – no lugar de Boafarinha

— Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes – São José Operário

— De uma ou outra particular dedicada a São José, cito apenas a do lugar da Relva, em Monsanto, Idanha-a-Nova, que está ao uso da Paróquia.

Antonino Dias

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