SOLENIDADE DE CRISTO REI 2018

 

Celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Revestido de majestade e de poder, Ele é o princípio e o fim, o alfa e o ómega. É Aquele que é, que era e que há de vir. N’Ele tudo começa, n’Ele tudo acaba. É o Rei do Universo! O Seu poder é eterno, o Seu reino não tem fim nem será destruído. Pelo Seu sangue, libertou-nos do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus Seu Pai:

Então, Tu és Rei?”, perguntou-lhe Pilatos, admirado com a Sua serenidade e sem saber o que lhe havia de fazer. As autoridades judaicas tinham sentenciado a Sua morte e queriam agora que Pilatos o confirmasse, mesmo não encontrando n’Ele qualquer culpa. “Sim, é como dizes, sou rei”, disse-lhe Jesus. Mas, podes ficar tranquilo, o meu reino não é deste mundo. Embora comece aqui e exista em função deste mundo, ele não é daqui. Pilatos quis duvidar, mas sabia que Ele tinha passado pelo mundo a fazer o bem. No entanto, quis defender o seu lugar, foi subserviente aos seus chefes, quis agradar ao povo, vai condenar o inocente. Jesus reafirma: O Meu reino não é deste mundo. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade e quem é da verdade escuta a minha voz.

Esta realeza de Jesus, pois, não Lhe vem por uma espécie de estatuto ou por um lugar de domínio. Esta realeza está no facto de Ele ser Testemunha fiel da Verdade de Deus, tornando-se a plenitude da Revelação da misericórdia de Deus Pai. Uma revelação baseada no poder do amor, na obediência ao Pai, na oferta de si, no serviço sobretudo aos descartados, no ajoelhar-se aos pés dos sofrimentos deste mundo, que são tantos. Esta missão de Jesus, porém, não podia nem pode parar. Jesus continua a convidar alguns de entre os seus amigos para, de uma forma mais próxima e a um nível mai forte de comunhão com ele, dar continuidade a este projeto do Pai, imitando-O a Ele, Jesus. Isto é: obedecendo, servindo e dando a vida sem fugir nem praguejar contra o mundo, mas sendo testemunhas da verdade no mundo. Esta resposta positiva que os convidados dão a Jesus, a Jesus que os chamou para confiar neles esta Sua missão, será tanto mais eficaz, quanto mais cada um deles fizer do seu coração o verdadeiro trono do Rei deste Reino: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz. Instaurado no coração de cada um, este reino jamais será destruído, não tem fim, o Rei tem lá o Seu trono, está lá, reina e é invencível. A Sua vitória, porém, aconteceu e continua a acontecer, sem usar a força e as armas. Ele vence na cruz, vence com amor e por amor!

Ora, a Igreja, que somos todos nós, tem esta causa como sua razão de ser: testemunhar a verdade e vencer por amor, sem usar a força nem as armas, mas anunciando a Boa Nova que é Jesus, assumindo a cruz de cada dia e, se necessário, dando a vida. Sim, a Igreja existe para evangelizar, para dar a conhecer Jesus e o Seu reino, com Ele e ao Seu jeito, como Ele, servindo, com amor. Ele vai à frente!…

Tendo edificado a Igreja, Jesus enviou os Apóstolos como Ele fora enviado pelo Pai. Quis que os sucessores destes, os sucessores dos Apóstolos, os bispos, fossem pastores na Sua Igreja até ao fim dos tempos, tendo colocado Pedro e os seus sucessores, o Papa, como princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão (LG18). Tornados, por Cristo, participantes da Sua Consagração e Missão, os Bispos, sucessores dos Apóstolos, transmitiram e continuam a transmitir legitimamente o múnus do seu ministério em grau diverso e a diversos sujeitos. Assim, o ministério eclesiástico, instituído por Deus, é exercido em ordens diversas por aqueles que desde a antiguidade são chamados Bispos, Presbíteros e Diáconos (LG18).

Como Ministros da Diaconia de Cristo, vindo para servir e não para ser servido, os diáconos significam a vocação diaconal de toda a Igreja que é o Seu Corpo. Pelo sacramento da Ordem é-lhes conferida a graça própria para servir a Igreja com a autoridade de Cristo, Cabeça do seu Corpo eclesial, que Ele reúne no Espírito Santo, por meio do Evangelho e dos sacramentos. Mediante a imposição das mãos e a oração consacratória, o Diácono é constituído ministro sagrado e membro da hierarquia, determinando-se assim o seu estado teológico e jurídico na Igreja, também com valor eclesiológico e espiritual.

É o primeiro grau do Sacramento da Ordem. À semelhança dos sacramentos do Batismo e da Confirmação, também imprime caráter sacramental específico, “ordena” , separa mas na comunhão com todos os fiéis, consagra ao culto de Deus e ao serviço da Igreja e dos irmãos. É um ministério de instituição divina. Faz parte da estrutura permanente dos ministérios na Igreja e a Igreja não pode nem extingui-lo nem criá-lo. Deve, isso sim, é valorizá-lo, quer se trate do Diaconado em caminhada para o Presbiterado, quer, quando, sobretudo, se trata do Diaconado Permanente. Tal como o presbiterado, também o diaconado é visto como participação sacramental na ordem e no ministério Episcopal.

Fortalecidos com a graça sacramental, os Diáconos, membros do povo de Deus, servem esse mesmo Povo de Deus em união com o Bispo e o seu Presbitério, no serviço da palavra, do altar e da caridade, mostrando-se servo de todos. Ministro do altar, proclama o Evangelho, prepara o sacrifício e distribui aos fiéis o Corpo e o Sangue do Senhor. Segundo o mandato do Bispo, pertence-lhe exortar e formar na doutrina sagrada os não crentes e os crentes, presidir às orações, celebrar o Batismo, assistir e abençoar o matrimónio, levar a Sagrada Comunhão aos idosos e doentes e o Viático aos moribundos, ler aos fiéis a sagrada Escritura, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, orientar os ritos do funeral e sepultura (cf. PR, Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e Diáconos).

Hoje e aqui, vamos ordenar o André Filipe Gomes Beato, para o ministério dos Diáconos. Natural da Paróquia de Nossa Senhora da Graça, da Vila de Nisa, filho de Joaquim Maria Denis Beato e de Teresa de Jesus Matias Gomes Beato, eleito que foi para o ministério dos Diáconos, mas como passo para o Presbiterado.

A Igreja pede que, para além de ser considerado digno pelo testemunho do povo cristão e o parecer dos responsáveis que o apresentam, a Igreja pede, dizia eu, que o eleito, antes de ser admitido à Ordem dos diáconos, manifeste, diante do povo a quem vai servir, o seu propósito de receber este ministério, consagrando-se ao serviço da Igreja pela imposição das mãos do bispo e pelo dom do Espírito Santo; que diga se aceita exercer o ministério de diácono com humilde caridade; se quer guardar o mistério da fé em consciência pura e proclamar esta fé por palavras e por obras, conforme o Evangelho e a tradição da Igreja, se, como sinal da sua vida consagrada a Cristo, quer guardar perpetuamente o propósito do celibato, se quer guardar e aumentar o espírito de oração e celebrar fielmente a Liturgia das Horas, pessoalmente, com certeza, mas também com o povo, pelo povo e por todo o mundo. E por fim, que ele também prometa ao bispo diocesano e aos seus sucessores, reverência e obediência. Esta obediência não é subserviência, é virtude e, como tal, deve ser pronta, alegre e inteira. É uma obediência tal como a tida por Cristo em relação ao Pai, com quem vivia sempre em comunhão plena. Uma obediência que aceita todas as exigências e consequências da missão assumida em favor do povo. Todos nos ordenamos para servir o povo de Deus. Santo Inácio de Antioquia apelava constantemente os cristãos das suas comunidades a que vivessem unidos ao seu Bispo, aos Presbíteros e Diáconos e não apresentassem como louvável aquilo que faziam separadamente, fora da comunhão. Se pedia isso aos fiéis, quanto mais o reforçaria aos membros da hierarquia. E leio em voz alta uma citação de Santo Inácio: “Alguns, de facto, mencionam continuamente o nome do Bispo, mas fazem tudo sem ele. Não me parece que estes procedam em boa consciência, porque as suas assembleias não são legítimas, segundo o preceito do Senhor (LHvIII,532).

O Bispo, se preside à comunhão diocesana, também é o primeiro obediente. Por força do ofício assumido deve obediência à lei de Deus ao qual, em consciência, tem de prestar contas. Deve obediência à Igreja que o aceitou ao seu serviço e confiou nele. Deve obediência ao Santo Padre que o elegeu, nomeou e enviou para servir com alegria e edificar a comunidade diocesana em Cristo. A construção da comunhão na obediência sadia é um dever de todos!

André, parabéns por este dia. Procura saborear, com serenidade e humildade, a grandeza do dom que está em ti. Procura plantar flores bonitas no jardim da tua vida. Não deixes poluir a tua fé. Não vivas ao redor de ti próprio com medo de entrares dentro de ti mesmo. Entra, abre as janelas do coração para respirares o ar fresco do que é bom e santo, esforça-te por reconhecer e ouvir cada vez mais o grito de tanta gente que anda à procura de Cristo.

Esta gente precisa, de facto, de ouvir a voz de Deus, precisa de quem d’Ele lhe fale com entusiasmo e alegria contagiante, precisa de ti, decidido e com vontade de generosa doação. Ao chamamento do Senhor respondeste em liberdade. Procura ser sempre fiel a esta opção de vida, na certeza de que Deus te ama e conta contigo. E a Sua Igreja também.

 

D. Antonino Dias, Bispo diocesano

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