No próximo Domingo é o dia de aniversário de uma grande e ilustre Senhora. Para discursar e enaltecer a Sua pessoa, tomei a liberdade de, em nome dos estimados leitores, convidar Sua Excelência o Senhor Dom Sofrónio de Jerusalém, professor de retórica, de ascendência árabe, homem viajado e de saberes, de grande cultura e valor.

Como sabem, a ilustre Senhora foi prometida desde as origens e está na base da civilização cristã com tudo o que ela implica de arte e cultura, de costumes e filosofia de vida. Ao longo dos tempos, as pessoas sempre celebraram o Seu aniversário como se de pessoa de família se tratasse. E bem, Ela é, de facto, da família, é Mãe, sempre discreta mas atenta e amorosa. Mas passo então a palava ao Senhor Dom Sofrónio de Jerusalém, a quem, nesta comunhão dos santos em que acreditamos, agradecemos a sua presença e palavras, pedindo-lhe também o seu apoio para que, como santo venerado na Igreja Católica e Ortodoxa Oriental, a verdadeira fé cresça sempre e em toda a parte:

“Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco. Que pode haver de mais sublime do que esta alegria, ó Virgem Mãe? Que pode haver de mais excelente do que esta graça que só a Vós foi concedida por Deus? Que pode imaginar-se de mais jubiloso e esplêndido do que essa graça? Nada se pode comparar com a maravilha que em Vós se contempla, nada há que iguale a graça que possuís; tudo o resto, por excelente que seja, ocupa um plano secundário e goza de brilho completamente inferior.

O Senhor é convosco. Quem ousará competir convosco? Deus nasceu de Vós. Haverá alguém que se não reconheça inferior a Vós, e mais ainda, Vos não conceda alegremente a primazia e a superioridade? Por isso, ao contemplar as Vossas eminentes prerrogativas, que superam as de todas as criaturas, eu Vos aclamo com todo o entusiasmo: Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco. Por meio de Vós foi concedida a alegria não somente aos homens mas também aos Anjos do Céu.

Verdadeiramente bendita sois Vós entre as mulheres, porque transformastes em bênção a maldição de Eva; porque fizestes com que Adão, outrora ferido pela abominação divina, por meio de Vós fosse abençoado.

Verdadeiramente bendita sois Vós entre as mulheres, porque por meio de Vós brilhou sobre os homens a bênção do Pai, libertando-os da antiga maldição.

Verdadeiramente bendita sois Vós entre as mulheres, porque por Vós alcançaram a salvação os vossos progenitores: de facto, Vós dareis à luz o Salvador que lhes obterá a salvação divina.

Verdadeiramente bendita sois Vós entre as mulheres, porque, permanecendo Virgem, produzistes aquele fruto que derrama a bênção sobre toda a terra e a liberta da maldição de que só germinavam espinhos.

Verdadeiramente bendita sois Vós entre as mulheres, porque, embora sendo mulher por condição natural, vireis a ser verdadeiramente Mãe de Deus. Com efeito, Aquele que vai nascer de Vós é com toda a verdade Deus Encarnado, e Vós sois chamada com pleno direito Mãe de Deus, pois que realmente é Deus que dais à luz.

Vós tendes, na verdade, dentro do claustro do vosso seio, o próprio Deus; Ele habita em Vós segundo a natureza humana e de Vós sai como esposo do seu tálamo, trazendo a todos a alegria e derramando sobre todos a luz divina.

Em Vós, de facto, ó Virgem, como em céu puríssimo e resplandecente, colocou o seu tabernáculo; de Vós sairá como esposo do seu tálamo e percorrerá como atleta o caminho da sua vida, que há de trazer a salvação para todos os viventes; e, correndo de um extremo ao outro do céu, tudo encherá de calor divino e de luz vivificante” (séc. VI e VII).

 

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No século XII, dizia assim santo Aelredo: “Mas que faremos por Ela? Que presentes Lhe ofereceremos? Queira Deus que possamos dar-Lhe ao menos aquilo a que somos obrigados por dívida. Devemos-Lhe honra, devemos-Lhe serviço, devemos-Lhe amor, devemos-Lhe louvor. Devemos-lhe honra, porque é Mãe de Nosso Senhor. De facto, quem não honra a mãe desonra o filho. Assim diz a Escritura: Honra o teu pai e a tua mãe”.

 

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Louvada seja na terra
A Virgem Santa Maria:

 

Quer nas horas de tristeza,
Quer nas horas de alegria;
Quer sobre as ondas do mar
Lá com a morte à porfia;

Quer nos escuros caminhos
Pelas noites de invernia;
Quer no lume da lareira,
Quer no sol quando alumia;
Quer no amor de toda a hora,
Quer no pão de cada dia…

Louvada seja na terra
A Virgem Santa Maria!

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Antonino Dias, Bispo Diocesano

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