
Realizou-se, no dia 27 de Fevereiro, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre, tal como estava previsto no calendário das actividades do Secretariado Diocesano de Portalegre-Castelo Branco do Movimento dos Cursilhos de Cristandade, o Fórum “M.C.C.-50 ANOS”.
Para ali se deslocaram cerca de duas centenas de Cursilhistas das várias zonas da nossa Diocese que, sem receio do mau tempo que se previa, se reuniram para comemorar as Bodas de Ouro do M.C.C. em Portugal.
Foi no ano de 1960 que, por inspiração de Deus, através da vontade e do coração de D. Vitoriano Aritze e de alguns leigos espanhóis da cidade de Vitória, e com o apoio do Cardeal Cerejeira, se realizou em Fátima o 1º Cursilho de Cristandade em Portugal.
E, passados 50 anos, aqui se reuniram cursilhistas desta Diocese para lembrar, festejar, actualizar ajudando a germinar a semente que aquele grupo entusiasta, lançou à terra, seguindo o grande desejo e orientação de Eduardo Bonin.
É que hoje, como então, são precisos homens e mulheres que vivam a sua condição de baptizados de forma consciente e responsável, neste mundo, onde os valores cristãos são cada vez mais ignorados.
Não foi um encontro apenas com um olhar virado para o passado, com muitos números, contabilizando cursos, cursistas, presenças ou ausências, mas um momento de reflexão do “antes” e “agora” com os olhos e o coração no “depois”, contando com a experiência destes 50 anos, mas projectando o futuro com Esperança.
Nesta Diocese, em 67 Cursos de Senhoras e 82 de Homens, já 2225 senhoras e 2500 homens viveram a experiência de um Cursilho de Cristandade.
Hoje, sentindo o chamado, o desafio de Deus que põe no Homem a Sua Esperança, ali estiveram para responder: “ Aqui estamos, Senhor!”, “Sim, conta connosco!”
O encontro, presidido por D. Antonino Dias, Bispo desta Diocese, iniciou-se com Laudes.
Um momento de grande alegria e entusiasmo foi o da actuação do Grupo de Cantares “O Semeador” de Portalegre, que espontaneamente provocou a participação dos presentes.
E chegou o momento do Sr. Cónego Senra Coelho, da Arquidiocese de Évora, que aqui se deslocou para partilhar o seu “saber” e a sua vasta experiência, ajudar a reflectir sobre o primeiro dos “três tempos” do Cursilho: “O Pre-cursilho”.
A seguir ao almoço, foi a vez do Orfeão de Portalegre brindar os presentes com alguns dos números do seu vasto reportório, arrancando os aplausos e agradecimento de todos por mais um momento de grande qualidade cultural neste encontro.
O segundo momento de reflexão e de novo a cargo do Sr. Cón. Senra, teve por base o terceiro dos “três tempos” do Cursilho. Desta vez o “Pós Cursilho”.
Seguiu-se um momento de partilha entre o orador e alguns dos presentes destacando-se testemunhos de cursistas da 1ª hora, e de alguns dos visitantes.
E chegou a hora de tirar algumas conclusões:
“De tão rico, este momento de Graça aqui vivido, poderia, certamente, levar algumas horas ou até alguns dias a reflectir sobre tudo o que foi dito. Mas, como tal não é possível, serão focados dois aspectos fundamentais: o pré-curso e o pós-curso.
Sendo o MCC um fenómeno cultural que leva os leigos à prática da Fé, e sendo o curso um instrumento de encontro com Deus, não é, pois, de ânimo leve que ele deve ser preparado.
Assim, sendo os carismas dons que Deus concede para cada momento da história da Igreja (e não os confundamos com vedetismos), foi Eduardo Bonin que teve a Graça do carisma fundacional do Movimento para levar jovens leigos à descoberta da beleza de Deus e do Seu Amor, fazendo o pré-curso parte do núcleo principal deste carisma.
Sendo instrumentos, a voz de Deus que chama, fazemos o chamamento à descoberta do kerigma, a participar naquilo que nos pertence, os nossos irmãos têm o direito de saborear o amor que Deus tem por eles. Temos, portanto, que ser missionários, pois este aspecto é intrínseco ao facto de sermos filhos de Deus e, se não o formos, é porque não estamos a viver intensamente a nossa libertação, a nossa conversão e a nossa comunhão.
Por outro lado, o pré-curso deverá ser vivido em clima de amizade que gera confiança, com o testemunho de vida e em plena liberdade.
Porque o movimento é Kerigmático e Ambiental, devemos levar Cristo para os nossos ambientes, proporcionando a vivência de Cristo a todos aqueles que “apesar de não serem santos, terem maneira de santos”.
Não estando sós, devemos ter em atenção o conhecendo do pároco, da escola, da ultreia, do grupo, e até da pessoa que deveria estar responsável pelo pré-curso. Sendo instrumentos e levando um convite, uma “prenda tão boa”, devemos ter autoridade para tal, autoridade essa que advém do testemunho pessoal de vida: a esperança, a alegria, a felicidade, a liberdade interior, a disponibilidade e a religião, tendo também na retaguarda a força da oração e da comunhão.
Assim daremos, como Maria, Jesus aos outros.
Quanto ao pós-curso, temos a salientar a consciência que o Cristianismo não é para viver individualmente. Portanto, só chego a Deus com a Igreja e, como dizia Santo Agostinho, “ninguém pode chamar Pai a Deus sem chamar Mãe à Igreja”. Para tal, devemos acreditar em nós, que somos a Igreja, até porque é Deus que nos sustenta, é Deus que nos dá força.
Sendo o curso uma vivência comunitária, é comunitária que se deverá manter. A palavra-chave para proporcionar a continuidade dessa vivência é a amizade, construída em gratuidade, de forma sincera e autêntica nos grupos, nas ultreias, como membros ou dirigentes do movimento, tendo como preocupação a integração de novas gerações de forma a rejuvenescermos a Igreja.
Conscientes desta nova realidade das novas gerações, o movimento deverá preparar-se para novos desafios de forma a proporcionar condições de crescimento dentro das paróquias e criar espaços de catequese de adultos.
Humanizar os ambientes através de grupos ambientais revela-se uma experiência enriquecedora sobre a qual devemos reflectir.
Partamos então daqui, neste dia de renovação e memória histórica, renovados, entusiasmados, com a ousadia de São Paulo, para vivermos melhor o quarto dia, fermentando os ambientes, dinamizando as comunidades, grupos, ultreias e núcleos de escolas, com o entusiasmo da primeira hora, como força da Diocese, de forma discreta mas persistente, vivendo este amor nunca esgotado de Deus e tendo presente que o nosso pós-curso será o pré-curso dos outros.”

O encontro teve o seu ponto alto na Eucaristia, presidida igualmente pelo Sr. D Antonino e concelebrada pelo Director e Vice-Director Espiritual do Movimento onde todos reforçaram o compromisso assumido um dia, num Cursilho de Cristandade.