DIA MUNDIAL DO REFUGIADO

Celebra-se, hoje, 20 de junho, mais um Dia Mundial do Refugiado, Portugal, não foge à regra mundial, e, não só a capital, mas, também, várias capitais de distrito, algumas cidades, vilas e aldeias que acolhem as pessoas que estão refugiadas no nosso país festejam este dia.
De facto chamamos-lhe acolhimento, mas, por onde passa o acolhimento que, a vários níveis, deveríamos disponibilizar às pessoas que se viram obrigadas a deixar os seus países e as suas famílias?
Ouvimos, cada vez mais, falar de refugiados que nos chegam da Síria, contudo e será bom lembrar, existem muitas outras pessoas que estão refugiadas e necessitando de proteção oriundas de outros países; de outros continentes.
Pessoas que caminham pelas nossas cidades sob o olhar indiferente dos residentes e de algumas entidades, pois, desconhecem praticamente esta realidade que mora e convive diariamente com a vida da cidade.
Normalmente, estes assuntos chegam-nos através dos meios de comunicação social que, nem sempre, nos passam a mensagem correta de quem são essas pessoas e nos explicam porque se encontram caminhando à procura de paz e de segurança para si e para as suas famílias.
Relativamente às notícias, por vezes, as imagens impressionam-nos, é verdade, mas, acontece tudo lá tão longe, nem sequer os conhecemos, e, pelas próprias imagens, até parecem ser tão diferentes de nós, que, rapidamente, esquecemos, ignoramos e desvalorizamos o seu sofrimento.
Mas voltando ao acolhimento, propriamente dito, será que, perante um cenário humano tão grave, nos poderemos contentar e sentir bem, com as ”migalhas” que lhes vamos dando, e isto, quase, como se de uma esmola se tratasse, pois, na maior parte das vezes, o nosso olhar é tão curto e limitado que, e apenas, consegue ver nessas pessoas, uns pobres sem eira nem beira que andam à procura, se calhar, nem eles sabem de quê?
Depois, perante tanto desconhecimento, surge, logicamente o medo, do que é diferente e daquilo que não conhecemos, em suma; temos medo de tudo e de todos, e, se calhar, também nós, nem sequer sabemos do que temos medo.
O Dia Mundial do Refugiado não existe apenas, porque alguém, um dia, se lembrou de que ficava bem, fazer mais um dia de festa; este dia existe, porque é necessário respeitar e dar voz a essas pessoas; conhecer os seus dramas e, perceber que, haverá sempre forma de tratar as suas fragilidades e de tornar mais leve a sua cruz.
Existe igualmente, porque, estamos a falar de Pessoas que, tal como nós, têm direitos, gostam da liberdade, e, principalmente, porque devem ser livres e viver com dignidade.
Enquanto cada um de nós e o Mundo não percebermos que o Mundo é a Casa Comum de todos nós e que há espaço para todos e que todos merecem viver com dignidade; celebrar o Dia Mundial do Refugiado, será, seguramente, mais uma forma de tratar assuntos tão sérios e dramáticos com aquela ligeireza com que nos habituámos a olhar diária e vagamente o que consideramos estar a acontecer tão distante de nós e erradamente, pensarmos que isso não nos diz respeito.
No caso dos refugiados, muitas dessas pessoas estão “distribuídas” por vários países, nalguns casos, em condições verdadeiramente desumanas e inadmissíveis.
Também o distrito de Portalegre e, concretamente a cidade de Portalegre acolhe 23 pessoas oriundas de 3 continentes (africano, asiático e europeu) que se encontram refugiadas nesta cidade alentejana.
É verdade que aqui encontram paz, pois, a própria cidade a isso convida, mas, será que só esta calma alentejana chega?
Claro que não, essas pessoas precisam de outros recursos; é urgente que a cidade faça um verdadeiro acolhimento, promova o seu acompanhamento e faça a sua integração; saindo dos conhecidos parâmetros de “coitadinhos ou pobrezinhos” com que tratamos “socialmente”, algumas franjas da sociedade.
É fundamental que as suas qualificações académicas e profissionais sejam reconhecidas, pois, só assim, encontrarão o trabalho que lhes permitirá viver de forma mais independente e digna.
Então, e para que possamos continuar a celebrar festivamente o Dia Mundial do Refugiado, que Portalegre, as suas gentes e as várias entidades, não fiquem indiferentes a uma tão rica diversidade cultural, mas que aproveitem o momento, para mudar o que ainda não estiver bem; procurem ter um novo olhar sobre essas pessoas, tentem dar-lhes toda a dignidade que merecem e que comecem a ver os refugiados como uma mais valia para a cidade, pois, são praticamente todos jovens; por fim e para que seja mesmo uma festa, que também eles se sintam pessoas como nós; saibam que são bem vindas e que o seu coração sinta que vale a pena viver em Portugal e muito especialmente, em Portalegre.
 

Rufina Garcia
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